O que
é ?
A fobia social é a intensa ansiedade gerada quando o paciente é submetido à
avaliação de outras pessoas. Essa ansiedade ainda que generalizada não se
estende a todas as funções que uma pessoa possa desempenhar. Na maioria das
vezes concentra-se sob tarefas ou circunstâncias bem definidas. É natural
sentir-se acanhado quando se é observado: esse desconforto até certo ponto é
normal e aceitável, muitas vezes vantajoso. Passamos a considerar esta vergonha
ou timidez como patológicas a partir do momento em que a pessoa sofre algum
prejuízo pessoal por causa dela, como deixar de concluir um curso ou uma
faculdade por causa de um exame final que exige uma apresentação pública ou
diante de um avaliador(es).
Diagnóstico
Para fazer o diagnóstico é necessário que a pessoa com fobia social apresente
uma forte sensação de ansiedade ou desconforto sempre que exposta a
determinadas circunstâncias. A ocorrência eventual para as mesmas situações
como, por exemplo, escrever sendo observado exclui o diagnóstico de fobia
social.O fóbico social sente-se muito incomodado todas as vezes que alguém o
observa escrevendo. A intensidade desta reação de ansiedade é desproporcional
ao nervosismo que esta situação exigiria das pessoas em geral, e isso é
reconhecido pelo paciente. No momento em que a pessoa é exposta a situação fóbica,
a crise de ansiedade é de tal forma intensa que parece uma crise de pânico.
Por causa de todo o desconforto envolvido nessa situação a pessoa passa a
apresentar um comportamento de evitação para estas situações. Casos específicos
devem ser analisados individualmente, como, por exemplo, uma pessoa que tenha
uma doença que deixe suas mãos com aspecto desagradável, poderá sentir-se
mal ao ser observada quando assina um cheque, não por causa de uma possível
fobia social, mas por causa do temor em que sua doença cause repulso em quem o
observa.
Características
Associadas
Os limites entre a timidez normal e a patológica são muito tênues para quem não
é especialista no assunto. Mesmo para o próprio paciente com fobia social não
é fácil acreditar que sofra de um transtorno psicossomático. Somente a difusão
popular do quadro típico da fobia social na sociedade é capaz de levar os
pacientes com fobia social ao terapeuta, o que de fato vem acontecendo cada vez
mais.
O uso de bebida alcoólica é freqüente e um bom indicativo de que o paciente
pode responder bem à medicação. Há o perigo do desenvolvimento de
alcoolismo, o que pode ser revertido com o tratamento adequado da fobia social.
O alcoolismo surge mais como uma tentativa equivocada de automedicarção.
Nas relações conjugais observa-se que quando o tratamento é iniciado após o
casamento, podem surgir conflitos conjugais. Isso acontece porque o cônjuge
saudável estava acostumado à dominação e o fóbico à submissão Quando o
tratamento permite que a submissão se desfaça surgem naturalmente os
conflitos, que podem ser superados com a cooperação e compreensão do cônjuge
saudável. Pode ser necessária a complementação do tratamento da fobia social
com uma psicoterapia de casais para superar essa fase.
Por fim um acontecimento comum principalmente no tratamento medicamentoso, que
proporciona uma supressão mais rápida dos sintomas, é o surgimento de um
comportamento hostil nos primeiros meses de tratamento, por parte do paciente.
Isto se dá provavelmente devido a uma auto-afirmação que o paciente passa a
adotar. Antes do tratamento, como todo fóbico social, os pacientes se submetiam
a coisas com as quais não concordavam, mas o faziam por não resistirem à
pressão. Com o tratamento o paciente aprende a dizer não, inicialmente com
certa dose de agressividade, depois mais amadurecidamente. Geralmente este
comportamento faz a família crer que o parente em tratamento piorou e se queixa
ao médico disto. Estas brigas, agressões e hostilidades incomuns numa pessoa
antes tão dócil são um sinal de eficácia do tratamento e essa fase de litígios
é transitória não se recomendando a interrupção do tratamento por causa
dela. Após três ou quatro meses o comportamento volta ao normal sem que o
paciente volte a ficar fóbico novamente. Caso as brigas se prolonguem demais
será necessária uma nova avaliação feita pelo terapeuta.
Sintomas
Não há sintomas típicos de fobia social; como qualquer transtorno de
ansiedade os sintomas são aqueles típicos de qualquer manifestação de
ansiedade. O que caracteriza a fobia social particularmente é o desencadeamento
dos sintomas sempre que a pessoa é submetida à observação externa enquanto
executa uma atividade. Observa-se dentre os fóbicos tremores, sudorese, sensação
de bolo na garganta, dificuldade para falar, mal estar abdominal, diarréia,
tonteiras, falta de ar, vontade de sair do local onde se encontra o quanto
antes. A preocupação por antecipação com as situações onde estará sob
apreciação alheia, desperta a ansiedade antecipatória, fazendo com que o
paciente fique vários dias antes de uma apresentação sofrendo ao imaginar-se
na situação.
Os
pacientes com fobia social geralmente não conseguem dizer não a um vendedor
insistente, compram um produto de que não precisam, só para se verem livres
daquele vendedor, mas também nunca mais voltam àquele lugar. Os namoros muitas
vezes são aceitos por conveniência e não por desejo verdadeiro. Os fóbicos
sociais freqüentemente têm uma auto-estima baixa e julgam que devem aceitar a
primeira pessoa que surge porque acham que não despertarão os interesses em
mais ninguém.
Grupo
de Risco
As pessoas mais afetadas pela fobia social são os homens, ao contrário da
maioria dos transtornos de ansiedade que predominam sobre as mulheres. O início
é indefinido, por ser muito gradual, impossibilitando os pacientes a
identificarem até mesmo um ano em que este problema tenha começado. Na grande
maioria das vezes o início é localizado na época em que começaram a se dar
conta de que eram mais tímidos do que os outros, ou seja, na infância ou
adolescência. Ainda não foram descritos casos na fobia social tendo iniciado
após os trinta ou quarenta anos de idade. Isto não significa que não possa
surgir nessa época, mas certamente só ocorre raramente. O mais tardar que a
fobia social pode começar é no início da idade adulta, em torno de vinte
anos; quando o paciente se dá conta percebe que é mais acanhado que a maioria
das pessoas sob as mesmas condições.
Tratamento
O tratamento medicamentoso com antidepressivos inibidores da rematação
da serotonina está bem claro e definido. Essas medicações não permitem uma
recuperação positiva. É pouco provável obter uma melhora, e principalmente
as pessoas com mais de cinqüenta anos de idade tem uma certa resistência a
melhora com medicação.Um tratamento muito indicado hoje em dia ,e com
resultados fantásticos,è a Hipnose Clinica e Terapêutica,que consegue
realmente resolver a problemática reclamada pelo paciente,através da origem
que iniciou na vida pregressa da pessoa.
Relato
de caso
Abaixo está transcrito o relato de uma pessoa que sofreu um embaraço por causa
de uma possível fobia social sem tratamento:
"Desde os meus 13 anos (agora tenho 22), percebo que quando alguém,
durante uma conversa, me põe em uma situação constrangedora ou de observação,
tenho algumas reações incômodas que se agravaram com o passar dos anos.
Destas reações, a que mais me incomoda e o fato de eu ficar enruborecido, com
as orelhas "pegando fogo". Esta reação acaba respondendo por
mim acusações nem sempre verídicas. Um dia destes no trabalho, a caneta de
estimação do meu chefe desapareceu, quando ele perguntou aos funcionários
sobre o paradeiro da mesma, o único que pareceu mentir fui eu, devido às
minhas reações de ficar vermelho tentando desviar as atenções sobre mim.
Havia ficado claro para todos que eu sabia a resposta, embora eu afirmasse com
toda a honestidade que não sabia quem a pegou. No dia seguinte, ele encontrou a
caneta em sua própria casa e me perguntou porque eu havia tido aquela reação.
Eu simplesmente não sabia como explicar.
Centenas de casos como este aconteceram comigo e continuam acontecendo, ora com
menor, ora com maior intensidade.
Eu não me considero uma pessoa tímida, a não ser por este motivo. Isto às
vezes me causa depressão, nada que interrompa minha rotina. Mas, começo evitar
pessoas e ocasiões que possam propiciar tais situações."