ENXAQUECA                                                                                                                                      

 O QUE È ENXAQUECA?
É uma dor de cabeça forte ou muito forte, que aparece periodicamente (uma vez por semana ou por mês, ou de meses a meses). Geralmente é pulsátil ou latejante (como se o coração batesse dentro da cabeça); isto agrava-se com o esforço ou movimentos da cabeça. Frequentemente é hemicrâneana (só de um lado). Acompanha-se de enjoos e metade das pessoas vomitam. Durante as crises há intolerância à luz (fotofobia) e ao barulho (fonofobia); as pessoas procuram um local escuro e sossegado onde possam repousar ou adormecer. Uma crise pode durar horas ou dias (geralmente não mais do que 3 dias). Entre as crises não há queixas. Alguns tipos de enxaquecas podem apresentar sintomas mais complexos (por exemplo: a enxaqueca com aura).
O QUE È ENXAQUECA COM AURA?
É um tipo pouco comum de enxaqueca (15 a 20%). A aura é geralmente uma perturbação exuberante e passageira da visão; manifesta-se por perda da visão de um dos lados, desfocagem das imagens, sensação de linha brilhantes em zig-zag, figuras ou pontos luminosos. Outras auras podem traduzir-se por formigueiro ou dormência de um lado da cara ou de uma mão. Há mesmo casos de dificuldade em falar ou paralisias passageiras dos membros. Estas alterações duram 10 a 30 minutos e desaparecem com o início da dor. Se a sua aura apareceu pela primeira vez, ou se ultrapassou uma hora, deve consultar o seu médico. Os restantes sintomas da crise são idênticos aos da enxaqueca sem aura.
QUAL A PREVALÊNCIA DA ENXAQUECA?
Aceita-se que 8 a 12% dos cidadãos dos países ocidentais sofram de enxaqueca. A enxaqueca é mais frequente do que a asma ou a diabetes, por exemplo. O facto de atingir as pessoas na idade mais produtiva da vida, implica grandes custos económicos, sociais e familiares.
A ENXAQUECA È MAIS FREQUENTE NAS MULHERES?
Rapazes e meninas são atingidos por igual. A partir da adolescência, a enxaqueca é mais frequente no sexo feminino.
QUAL IDADE SE ADIQUIRE A ENXAQUECA?
Habitualmente entre os 20 e os 40 anos, mas podem aparecer na infância.
Se aparecer pela primeira vez depois dos 45 anos deve consultar um médico.
HA ENXAQUECAS TODOS OS DIAS?
Não. A enxaqueca aparece de um modo recorrente, várias vezes ao longo da vida, mas com intervalos completamente livres.
Sempre que uma enxaqueca se torna uma cefaleia diária, provavelmente um longo abuso de analgésicos ou de outros medicamentos para tratamento das crises. O abuso medicamentoso pode converter uma enxaqueca numa cefaleia crónica diária; é uma situação que exige o apoio de um especialista.
Algumas das pessoas que se queixam de enxaquecas diárias têm na realidade apenas uma cefaleia de tensão ou então cefaleias combinadas (enxaqueca e cefaleia de tensão).
EXISTE ENXAQUECA DE FIM DE SEMANA?
Há pessoas em que a enxaqueca aparece preferencialmente ao fim de semana. Estas crises podem ser precipitadas por excesso ou alteração do horário de sono, pela falta do pequeno almoço ou do café habitual. A descompressão do fim de semana (suspensão rápida do stress profissional) e o uso/abuso de bebidas alcoólicas também poderão ter algum papel desencadeante. Aconselha-se estas pessoas a evitar mudanças radicais de estilo de vida durante o fim de semana.
SÒ EXISTE UM TIPO DE ENXAQUECA?
Os tipos mais frequentes de enxaqueca são:

Enxaqueca sem aura – a conhecida simplesmente como enxaqueca.
Enxaqueca com aura.
Enxaqueca menstrual – ocorre apenas junto à menstruação (imediatamente antes, durante ou depois).
O QUE È ENXAQUECA OFTÁLMICA ?
É um tipo de enxaqueca em que existem alterações visuais num olho, durando menos de 1 hora, acompanhadas ou seguidas de dor de cabeça. O diagnóstico só pode ser afirmado depois de um exame oftalmológico normal.
PODE HAVER SÒ AURA DA ENXAQUECA SEM DOR?
Pode, mas é preciso que o diagnóstico de enxaqueca já tenha sido feito por um médico. Se não houver história prévia de enxaqueca e uma pessoa aparecer com sintomas que parecem uma aura deve ser observada por um neurologista, para se excluir outras situações.
POR QUE SO 10% DAS PESSOAS TEM ENXAQUECA,È HEREDITARIO?
A enxaqueca é provocada por mecanismos muito complexos e muito bem estudados. Grosso modo, podemos dizer que se deve a uma combinação de processos a nível cerebral: excitação/ depressão de células, dilatação de artérias e libertação de substâncias químicas. As pessoas com enxaqueca serão mais sensíveis a certos estímulos (ambientais ou do seu próprio organismo) que podem desencadear esses complicados processos cerebrais. Pensa-se que haverá alguma susceptibilidade genética à enxaqueca; há mesmo tipos hereditários de enxaqueca com aura.
O QUE PODE DESENCADEAR UMA CRISE DE ENXAQUECA?
Algumas pessoas conseguem identificar desencadeantes para as suas crises. Os mais
frequentes são: certos queijos, chocolate, morangos, mariscos, vinhos, alteração do ritmo de sono (dormir demais ao fim de semana, por ex.) o stress, a menstruação, o jejum, o exercício físico ou até mesmo um pequeno traumatismo com a cabeça (jogar à bola de cabeça). No entanto outras pessoas não conseguem identificar nenhum desencadeante. Os factores desencadeantes não são a causa; só provocam as crises em pessoas susceptíveis.
QUE EXAMES AS PESSOAS DEVEM FAZER PRA DIAGNOSTICAR A ENXAQUECA? 
O diagnóstico da enxaqueca é feito só pela história clínica (interrogatório e observação). Os exames são sempre normais. Em casos raros e mais estranhos de enxaqueca, havendo dúvidas, o médico poderá recorrer ao TAC para excluir outras doenças. O electroencefalograma é inútil.
A ENXAQUECA TEM CURA?
Não tem cura mas tem tratamento. Há medicamentos e comportamentos que podem reduzir a frequência, duração ou intensidade das crises. O doente deve fazer um registo-calendário das crises e factos associados. Isto ajudará a definir uma estratégia de tratamento.
COMO SE PODE PARAR OS VÒMITOS DA ENXAQUECA?
Há medicamentos para as náuseas e vómitos, em comprimidos, supositórios e injecções. Podem ser comprados com receita médica. Alguns medicamentos para tratamento da crise, além da melhoria da dor também diminuem as náuseas ou vómitos.
O QUE DEVE FAZER UMA PESSOA NUMA CRISE DE ENXAQUECA?
Deve deitar-se num local sossegado e escuro e tomar os medicamentos receitados. Se mantiver vómitos deve tomar (ou pôr supositório) para os vómitos. Pode ainda aplicar frio no local da dor.
Os medicamentos utilizados para a crise de enxaqueca são: analgésicos simples, anti-inflamatórios (antireumatismais), combinações de vários analgésicos com codeína, compostos com ergotamina e os triptanos. Tem de consultar o seu médico para saber qual o mais adequado para si.
QUE TRATAMENTOS EXISTEM PARA ENXAQUECA?
Os tratamentos são de 2 tipos:

1 – Para a crise de enxaqueca:

Pode tentar aliviar a dor sem ser com medicamentos: apertar ou massajar as fontes, ficar deitada no escuro e em silêncio e dormir, colocar coisas frias no local da dor, etc..
Os medicamentos que existem podem ser:

A) Os analgésicos simples, como o paracetamol, são geralmente eficazes nas dores mais fracas.
B) Os Anti-inflamatórios, como a aspirina ou os antireumatismais, são mais potentes que o paracetamol mas também têm mais efeitos secundários, sobretudo para quem tem problemas de estômago. Não são específicos para a enxaqueca e podem ser usados noutras dores.
C) Mistura de 2 analgésicos, com ou sem cafeína
D) Os derivados da ergotamina com cafeína – são específicos para as enxaquecas. Devido ao seu poder de habituação e efeitos secundários só devem ser usados sob receita médica.
E) Os triptanos destinam-se também exclusivamente ao tratamento da crise de enxaqueca e só devem ser usados por receita médica.


2 – Para diminuir a frequência das crises:

É importante que se mantenha um calendário com as datas das crises, das menstruações e daquilo que acha que as pode desencadear (comidas, bebidas, dormir demais ou de menos, viagens, etc.) porque assim ajuda muito o médico. Pode inclusivamente aprender a modificar alguns desses factores.
Se for necessário uma medicação existem vários medicamentos para a prevenção da enxaqueca e o seu médico deverá discuti-los com o doente, caso a caso.             ARI GOMES